
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
"só escrevo porque há uma voz dentro de mim que não se cala" (sylvia plath)


Vira-e-mexe estamos com a mesma roupa, roxos e azuis, amarelas e vermelhas ao mesmo tempo. Não, não estudamos na mesma sala de aula e no ano que ela nasceu eu já fazia coisas que um bebê jamais poderia presenciar. Tudo igual.... uma dezena de anos não nos faria a menor diferença. -Alguém pode por favor promover a poda anual da comunidade do Campeche? Sim claro, mas cuida porque não pode cortar muito assim...a plantinha pode sentir...cuidado que aí onde você está tem umas formiguinhas bonitinhas.....vai se fudê está merda de celular que não me acordou....ai, ai preciso parar de fumar....tenho que fazer mil coisas mas entes vou tirar o pó da fresta do chão....não aguento mais esse pó todo na fresta....palitinho, palitinho ... ptz....tem quatro folhas secas no arranjo da sala...A Cá é assim...pra mim, vida borbulhante dentro da caixinha do universo. Tratamos de assuntos sem tempo. “mulheres e crianças sempre desistem de afundar navios” a Cá é a criança.

Corro pro papel toda a vez que não sei o que fazer com as lembranças...."é fácil fazê-la entender"
queria começar uma história pelo fim mas não cosigo.Me arrumo com a mesmas roupas e há anos procuro me livrar das marcas do tempo. Pra sempre alguns anos a menos. Um luto nesse coração apertado na garganta abarrotada de versos.
Com as duas mãos espalmadas sobre a mesa vejo o esmalte vermelho que pinta a ponta dos meus dedos. Também uso um batom que deixa os lábios mais grossos (era o que prometia o cosmético). De saia e blusa acho que vou te encontrar na primeira esquina e não encontro. Meu cabelo também, arrumo cachos fora do lugar uso um brilho nos olhos que veio da última luz do sol. Ainda bonita, ainda sonhando mas ainda um coração que não foi atendido nos seus pedidos mais secretos. Pulso que pulsa...............enfim, encontro resposta no teu silêncio. E é sempre nesse momento bolha de sabão no firmamento que tudo o que poderia ter sido dito se desfaz no prisma que independe, que se arrisca pra colher e explodir em gotas no nariz do palhaço no sinal fechado da sinaleira. Minha alma, bolha prisma no nariz do palhaço brincando com a altura e se perdendo na brisa da tarde. Tem um colorido no cabelo da menina, ele diz. Ela, ganha as ruas da cidade enquanto o trânsito flui por entre luzes e prédios. Como pode uma bolha de sabão feito de alma colorida como prisma subir além dos prédios?Como chegar no elevador que me levará para além dessa cidade? Se quiser uma senha para entrar terás de chegar cedo e ser merecedora de tanto benefício, heim? Tá, eu farei o possível e tentarei quando for a hora certa. Quando finalmente tiver uma chance. Até lá explodo por aqui, hora no nariz do palhaço da esquina, hora na vidraça empoeirada do prédio.
Se for alí, onde o sol nascerá em breve espaço de poucas horas não me importo que digas que já vais; claro que olho em volta. Como poderia conter teu ímpeto de seguir para adiante e nunca aqui onde estou...como saber a quanto tempo lancei a voz que te chama num eco de meu próprio som?
Orgânica.
Simples como uma folha de papel em branco, perplexa como uma folha de papel em branco.....orgânico. Meu pensamento se envolve com a festa da memória de um tempo que voaaaaava...., a bem da verdade gostaria de ter certeza de que o que me espera é inédito. Com fragrância
ainda, como teu rosto gravado na memória...
(em um leve tom de rosa)
Partícula suspensa. Poeira do teu quarto no sofá dobrável. Alí era o canto da porta! Cheiro de tarde adentro nas várias roupas que cobriam o corpo e deixavam nossas mãos nuas! Ufa, mistério dessa ou daquela pele...se me tocares, irei pelos ares...disse uma vez e agora de novo...se me tocares irei pelos ares como essa partícula que acaba de passar!! Essa daí, não estas vendo? Ora....perdeu...era tão decidida que se foi mesmo. Como essa tua imagem que se desfragmenta no esforço de algumas horas logo depois do que haverei de tomar de um só gole. Pra que não haja perigo de afogamento. Me livro terrivelmente do que se acumula dentro da minha garganta. Pra que a noite caia enfim, suavemente, no meu sonho.