sábado, 13 de setembro de 2014

a chuva começou com pingos no rosto dela. foi como ela sentiu. molhava pouco e quase fazia cócegas. Ela desejou pelos poros... e que fossem saturando suas células encharcando-a por dentro e detendo-lhe. A sede. Roupas molhadas, como benção. Pensou que isso não deveria impedi-la da missão de sair e pagar a conta de luz, só precisava achar um lugar protegido para reposicionar as coisas dentro da bolsa - colocar o celular dentro da necessaire que é de plástico, guardar os óculos, e escolher o lugar mais seco pro dinheiro e documentos. Assim decidida, foi, chegou e sacando a senha, esperou. (O sinete eletrônico é alto demais e a chuva ganhará de novo sua companhia.)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

estado vegetativo incubativo e adormecido - esse meu!
não sei como saio nem como fico e se vou o que sobraria de mim e se fico o que ficaria deles?
Assim é o fundo do copo do liquidificador e suas espátulas afiadas, não há hipótese de sair dele sem cortes. Não existe opção que não seja excludente nem a mágica da cartola poderá resolver o sumiço do coelho. A guerra do nervo exposto, a dor do saber não morrer e a petulância de querer viver.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

realmente uma ótima estação.
convenço-me.
penso em aclimatação
penso em obstipação
nas inalações e nos colchões ao sol.
lembro dos improvisos
dos muitos avisos deixados na sessão de achados
lá na Praça Matriz onde enfiei o nariz
pra te espiar passar
por acaso e mesmo sem te falar
na esquina do regresso
aquela do Posto Esso
assustei-me com uma trombada
e entre desculpas você disse: - Não foi nada!
sai dalí andando em frente
uma nuvem densa me cobriu a mente
mas assim, sem mais olhar pra mim, você seguiu.
Você nunca me viu.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Somos todos Produtos

Bijlmer

Super Exagerado o filtro, mas fez as pessoas parecerem parte da mercadoria.

quinta-feira, 3 de março de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

sábado, 11 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Oswaldo

Quem um dia poderia imaginar que seu Oswaldo morreria em plena noite de final de Copa.
Tem mais ou menos 45 anos que seu Oswaldo não gritava tanto, não tomava tanta cerveja, não comia tanto churrasco!! Homem sedentário e de muitas posses decidiu se reconciliar com os vizinhos e parentes pois com cada um brigou e nunca mais "olhou na cara" - dizia isso com muito orgulho e apontando o dedo pro nada.
Comprou TV 72 " (uma coisa enorme mesmo) chamou a vizinhança (falou da TV é claro) e queria mesmo (demonstrava de coração) que todos viessem, inclusive os "moreninhos" lá do fim da rua (fala isso com tolerância de si mesmo) - Afinal a festa era deles!!
Seu Oswaldo (que Deus afinal o tenha) morre na frente de todos, no grande momento, na decisão. Era cardíaco? Era o que? Aquele colapso fulminante que todos presenciaram? Fazia pouco tempo que os convivas comentavam entre si as qualidades - nunca antes percebidas - Que Seu Oswaldo (agora +) com o espeto de picanha na mão, tinha o tempo todo. Pobre Sr. Oswaldo + . Fulminante. "-Não deu tempo de fazer nada!" Caiu durinho e apagado. Segurava nas mãos um isopor vazio. Sozinho , com apenas um sobrinho (que ele apresentava como sua "família") e os vizinhos, novos amigos de agora a pouco. Pois era coisa séria a relação de seu Oswaldo + com aquela gente, nem posso lembrar.
Aos poucos foram tomando providências. Enquanto uma vuvuzela tocava ao longe.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ibirapuera

idade idade idade
a linha do tempo
corta o meu cabelo
curto médio e longo
logo mudará de cor
mas é na parte dos joelhos que guardo toda a verdade
ali onde a própria vida estica encolhe
socorro
socorre
aqui o ar tá parado,
não balançam nem amendoeiras nem rameiras leves
pássaros não encontram nenhum ruído pra desencaminhar seu canto
Penúltima manhã de um período maior,
uma cidade maior ainda, uma das maiores do mundo...
(toda a cidade que conheço parece maior que a última)
Pois latifundio do meu peito vai se ocupando
daqui do Parque até a casa os caminhos são vários e ainda não repeti nenhum
porém, quando menos se espera, lá está ele: o portão de número dez

caminhos vários
chegada sempre única
a vida tem sossego por hoje

um moço

Ter moço?
Tremoço
Mereço o osso
Só de rosto
Regalo a vida
nesse posto
onde assumo
cônscio
o teu poço
A cidade e eu estamos nos conhecendo quilometro a quilometro. Pelas esquinas e padarias, parques, salas de arte e as pessoas nas bancas de jornal, no metrô e pontos de ônibus. As vezes sol, as vezes nuvem e sol e as vezes chuvas implacáveis.
As pessoas aqui gostam de dar bom dia em vários sotaques, gostam de saber de onde vem o seu, que logo percebem ser diferente. Nas ruas, enquanto se caminha ouve-se poucos lamentos. O tom não é de conformismo mas de esperança! Não há resmungos desnecessários, aparentemente estão sempre concentradas em ver mais um dia chegando ao fim....passar na padaria e esperar o pão sempre saindo do forno, quentinho.

Mais uma para Ivanor


então Ivanor, resolvi dizer algumas coisinhas sem muito ensaio e de maneira um tanto impulsiva mas é muito importante que você fique sabendo que imprimiu mágoas de abandono e desconsideração aos meus últimos dias de agora...é ...espero que se houver algum motivo pra tamanha indiferença eu um dia possa ficar sabendo, seria ótimo...sabe.......talvez você tenha ponderado algumas coisas...talvez você tenha se apaixonado por aí...talvez na dissecação tenha encontrado algo purulento, sei lá...tá vendo? que complicado vc deixou tudo!!!O fato é, pq raios me jogar um balde de gelo na cabeça? o que foi que eu te fiz? passei dois meses imaginando uma maneira de estar com você por 2 dias...só porque era muito bom e eu queria de novo! simples assim! sabe como é, a vida é curta, o salário dura 7 dias, e bem poucas coisas nessa vida são de verdade! daí quem tem um afeto, um amigo, um carinho...como você pôde? sei que sua popularidade é grande e talvez você não precise de ninguém mais....sabe quando o contingente já tá legal? Vá lá...mas desprezo? mexer com minha autoestima porque? ainda não sei se mereci esse trem....vc decidiu que não queria mais nada comigo e sua técnica foi aquela da geladeira? ora, se precisava respirar outros ares....se concentrar no seu umbigo gordo....ok eu entendo....mas indiferença?"Essas mulheres que grudam no pé do cara!!" pois é, cara mau...."mulheres caem aos meus pés em número de muitas!!!sei se consigo imaginar tua cara ao ouvir tudo isso porque estava sem coragem de me devassar mais ainda....correndo o risco de parecer uma idiota até que descobri que o mundo é dos idiotas! jamais pensei que com todas as nossas brincadeiras jurando serem duas pessoas maduras...afe...Chega né Ivanor...Isso já ficou pesado demais pra mim...aí decidi dividir um pouco esse peso com você...as vezes a dor que sinto no peito....
parece que alguém morreu...vejo umas fotos suas e sinto um nó enorme me sufocando!! Pra que me deixar nessa agonia das perguntas sem respostas? Vc usou oks, ois, chuva, vento, frio, calor, vagos e ao mesmo tempo monossílabos cheios de significado!!!! pq será que insisti? que será? que desgaste? fiquei 15 dias quebrando um copo por dia lá na minha patroa (coisa que nunca aconteceu) e o doutor perguntou: a senhora tem histórico de tremedeira na família? e eu logo pensei que é isso mesmo.... só falando tudo que tá engasgado pra moça da garganta fechada poder respirar e comer e dançar em outras pistas por aí! foi dessa necessidade que nasceu esta longa cartinha....que se vc quiser deixar sem resposta não se preocupe...já não espero mais nada! ainda dói muito esse encontro tão bonito que tivemos, coisa pra guardar numa caixinha de ouro sabe? queria que você se visse pelo menos por um minuto no lugar que ocupo nessa história...abandono dói demais...Porém, sei que do alto do caminhão de lixo te sentes poderoso, e eu....escrevo sabendo que nem ao menos sabes ler

segunda-feira, 29 de março de 2010

estado vegetativo incubativo adormecido replicante esse meu
não sei como saio nem como fico e se vou o que sobraria de mim e se fico o que ficara deles?
Assim é o fundo do copo do liquidificador e suas espátulas afiadas, não há hipótese de sair dele sem cortes. Não existe opção que não seja excludente nem a mágica da cartola poderá resolver o sumisso do coelho. A guerra do nervo exposto, a dor do saber não morrer e a petulância de querer viver

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Bob por Camila

Ai, nêga... que notícia mais triste... triste, triste... Pobre Bobeira... E eu que acreditava que ele era imortal...
Mas, não, nada na vida é imortal... nem o Bob...
Tem uma coisa pra nos alegrar: no céu dos cães não há dor de ouvido. E o nosso querido Lorde ganhará um kit de mãozinhas de tamanhos variados para se coçar, bastanto mover o pensamento. Há também buraquinhos de todos os tamanhos para ele se aninhar, todos ricos e confortáveis, condizentes com sua nobreza. Há também comida de galinha, de gato e de vários animais, além da comida de cachorro, para ele poder escolher, a cada momento, a que mais lhe apraz. E ele terá um troninho suspenso, muito mais bonito que aquele igluzinho da Rafa, finamente decorado, para abrigá-lo nos dias de chuva e para descansos frescos. Muitos carros de várias cores estacionados formando um semi-círculo num enorme e lindo gramado verde, à disposição para seu prazer e seus gemidos. E terá para sempre nosso carinho e nossa saudade.
Tão triste saber que não poderemos mais fazer-lhe um afago com o cabo da colher... Nem vê-lo caminhar com aquela altiva lentidão tão própria do nosso lorde escocês preferido...
O mundo ficou mais triste hoje.
Péssimo não estar aí contigo agora... Mas, se agora fica só o salgado das lágrimas quentes à distância, fica prometido para o futuro que nosso primeiro brinde de amarga e gelada cerveja será em homenagem ao Bob.

beijo triste...